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BALANÇO 2011 E PREVISÕES E PLANEJAMENTO PARA 2012

20.03.2012

Data: 04.01.2012 – Fonte: Gustavo Mello

Chegamos ao final do ano de 2011, hora de refazer o planejamento estratégico das empresas, e para tal temos que avaliar os cenários externos e internos do nosso país e da nossa atividade. Afinal o que podemos esperar de 2012? Quais os cenários interno e externo ? Como ele nos afeta?

Podemos dar alguma dica, dividindo os cenários em análises de MACROECONOMIA e de MICROECONOMIA:

MACRO – No Cenário interno do setor de seguros:

As estatísticas da SUSEP estão atualizadas até julho de 2011. Considerando o volume de prêmio emitido até julho em relação ao mesmo período de 2010, houve um crescimento de 21% no setor de seguros privados. Tudo indica que teremos um excelente crescimento, o terceiro maior de todos os tempos, inferior apenas ao crescimento observado nos anos de 2002/2003 (28%) e 2003/2004 (22%). E assim teremos completado uma década de crescimento de 2 dígitos no setor de seguros ! Na década de 2000 até 2010, o mercado cresceu 391% ou quase 4 vezes o seu tamanho. E dependendo do resultado que fecharmos 2011 teremos crescido 5 vezes na última década.

O IED – Investimento Estrangeiro Direto, especificamente no setor de Seguros, resseguros, previdência complementar e planos de saúde, no Brasil, conforme censo do BACEN foi de R$ 474 milhões em 2008, de R$ 1,32 bilhão em 2009, de R$ 9,8 bilhões em 2010. Demonstrando a crescente atratividade do setor de seguros para investimentos de fora.

Não tem nenhum motivo para isso mudar em 2012, podemos até crescer menos em função de um freio na economia mundial. Mas dificilmente não repetiremos uma taxa de crescimento de dois dígitos mantendo a série dos últimos dez anos.

MACRO – No Cenário interno da economia brasileira:

O Brasil continua com sua rotina semelhante aos anos anteriores: controlar a inflação usando a taxa de juros, crescer o PIB, aumentar o mercado interno com estímulos às classes C e D. Mas sobretudo reduzir, ou pelo menos manter, o déficit público. Ocorre que teremos um ano de eleições municipais, fato que normalmente eleva gastos nas três esferas públicas. Isso pode ser negativo e justificar uma inflação acima da meta planejada. Para pagar a conta de gastos públicos em elevação teremos aumento de impostos que prejudicam a produtividade de nossas empresas.

Entre os países parceiros comerciais do Brasil temos Argentina, Alemanha e China, todos em boas condições econômicas, somam-se a estes os Estados Unidos que apresenta recuperação e o Japão em piores condições. Portanto, não acredito que tenhamos uma queda nas exportações diante da crise mundial que atravessamos. Em 2011, por exemplo, tivemos um superávit de US$ 29,7 bilhões, o melhor resultado desde 2007. Situação que mostra a recuperação frente à crise do subprime americana.

O desemprego no Brasil manteve-se controlado em 6%, e o estímulo – através da promulgação em novembro de 2011 da Lei do Supersimples – à ampliação dos empreendedores individuais poderão provocar a formalização de muitos trabalhadores informais e autônomos. No Brasil já temos 1,7 milhão de empreendedores individuais que integram o regime especial de tributação em atividades como cabeleireiras, manicures, costureiras, carpinteiros, borracheiros, eletricistas e encanadores. A tendência é isso aumentar! Esse fenômeno aconteceu na Europa, quando muitos trabalhadores estrangeiros registraram pequenas empresas (de um único sócio e sem funcionários) para conseguirem a permissão de trabalhar em países da zona do Euro. No último ano, aproximadamente 85% do emprego gerado no Brasil veio de pequenas empresas com até 4 funcionários. Essa é uma tendência também para 2012. As empresas com mais de 500 funcionários reduziram seu quadro em 2011.

MACRO – No Cenário Internacional:

Conforme os dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), disponibilizados até setembro de 2011, as estimativas de crescimento (da economia) do PIB (Produto Interno Bruto) é a seguinte: Brasil 3,8%, Argentina 8%, Chile 6,5%, Peru 6,2%, Uruguai 6%, Paraguai 6,4%, Equador 5,8%, Bolívia 5%, Colômbia 4,9%, México 3,8%, Venezuela 2,8%. Entre os países emergentes temos: China 9,5%, Índia 7,8%, Rússia 4,3% e África do Sul 3,4%.

Na Europa, que sofreu bastante com a crise de crédito o FMI aponta o seguinte crescimento: Suécia 4,4%, Polônia 3,8%, Áustria 3,3%, Alemanha 2,7%, França 1,7%, Noruega 1,7%, Inglaterra 1,1%, Espanha 0,8%, Itália 0,6%, Portugal -2,2%, Grécia -5%.

Isso indica que países que se retraíram nos anos anteriores – como no caso da Argentina – apresentam uma taxa de recuperação relevante. Também nos mostra que na Europa os problemas da zona do Euro são importantes mas estão sendo mais sentidos nas economias menores: Grécia, Portugal, Itália e Espanha. Os Estados Unidos que se recuperam da crise de 2008 mostram força com um crescimento de 1,5% em 2011.

A taxa de desemprego é outro indicador que serve como termômetro e demonstra o desaquecimento da economia. A taxa é a seguinte: na Áustria 4,1%, na Alemanha 6%, no Reino Unido 7,8%, na Itália é 8,2%, na França é 9,5%, Hungria 11,3%, Portugal 12,2%, Grécia 16,5%, e Espanha 20,7%. O desemprego nos Estados Unidos está em 9,1%, enquanto no Brasil é de 6,7%. Na América Latina destacamos: Colômbia 11,5%, Venezuela 8,1%, Peru 7,5%, Argentina 7,3%, Equador 7,3%, Chile 7,2%, Uruguai 6,6%, Paraguai 5,8%, México 4,5%.

Dentre outros diversos indicadores da economia, escolhi apresentar o déficit público em relação ao PIB. O Brasil deve 65% do seu PIB, os EUA devem 100% do PIB, o Uruguai deve 49,3%, a Argentina deve 43,3% do seu PIB, o México 42,9%, o Peru 21,5%, o Equador 20,9%, o Paraguai 12,8%, o Chile 10,5%. Na Europa os países devem ainda mais, o que explica o problema da zona do Euro: Grécia deve 165,6% do seu PIB, Itália deve 121,1% do PIB, Portugal deve 106% do PIB, França 86,8%, Alemanha 82,6%, Reino Unido 80,8%, Áustria 72,3%, Espanha 67,4%. Nos países emergentes temos: Rússia com 11,7%, China com 26,9%, Índia com 62,4%, África do Sul com 36,1%.

Conclusão: No que diz respeito ao cenário internacional teremos uma Europa cortando gastos e reduzindo investimentos, uma elevada taxa de desemprego apontando para uma desaceleração. No sentido contrário estão a América Latina e os países emergentes. O mundo ainda depende do consumo da China e dos Estados Unidos que já demonstram recuperação.

O que isso implica em nosso setor? Pode explicar o aumento de investimento estrangeiro no Brasil, sobretudo no setor de seguros, também indica que as empresas brasileiras precisam diversificar suas vendas para os países em crescimento, em detrimento de apontá-las para a Europa que deverá comprar menos em 2012. Os seguradores e corretores que tenham sua matriz na Europa podem se ver pressionados por resultados e remessas maiores de lucros, para dessa forma ajudar a cobrir ou reduzir o déficit e a significativa redução de vendas de suas filiais na zona do Euro.

MICRO: No nosso mercado de seguros brasileiro

Analisando em detalhes o nosso setor podemos imaginar muitas tendências, que já se apresentam desde o final de 2011:

1- Consolidação de corretoras de seguros, através da compra de diversas corretoras por conglomerados maiores. Sobretudo, notaremos a realização de investimentos de grandes corretoras que abriram seu capital na bolsa de valores.

2- Uma maior atuação da SUSEP, agora mais bem equipada e com pessoal gabaritado, pelo amadurecimento de investimentos feitos pela autarquia nos últimos anos.

3- Uma incrível dificuldade de segurados e corretores para colocarem alguns riscos de difícil aceitação: móveis, estacionamentos, armazéns, supermercados, colchões, botijão de gás, entre outros riscos. A abertura do setor de resseguros ainda precisa amadurecer. E tal prática poderá estimular a criação de cooperativas de risco, ou seguradoras cativas, ou pools para se protegerem através de suas entidades de classe.

4- Uma maior dificuldade para competir nos seguros de automóveis, com o incremento das cooperativas ilegais de proteção veicular (o seguro pirata). Normalmente ligadas a pessoas influentes e que dificultam muito seu combate feito pela SUSEP.

5- Um aumento de corretoras multinacionais de resseguros e de seguros atuando em nosso país.

6- Também será um ano onde a área de recursos humanos terá um papel de máxima importância nas empresas (sobretudo seguradoras). Pois a carência de mão de obra ficará mais latente e a concorrência será acirrada por executivos especializados.

7- O seguro saúde encontrará um aumento na demanda de pequenos grupos (PMEs) e uma redução na demanda – ou estagnação – nos grandes grupos. O aumento dos custos pelo incremento do rol de procedimentos, bem como pela consolidação de hospitais nas grandes metrópoles, e ainda pela pressão dos médicos por reajustes, são vetores para menores margens e nenhuma flexibilidade para reduções de preços. Talvez o corretor possa ter sua margem prejudicada em função dessas pressões entre cliente e seguradora.

8- Seguros de Transportes, Engenharia, Garantia, são exemplos de ramos que devem crescer ainda mais em 2012.

CONCLUSÃO:

Enfim, estas são algumas hipóteses bem razoáveis que devem orientar os planos de negócios das empresas do nosso setor. Como isso tudo afeta a sua organização? Isso pode aumentar ou reduzir a sua receita? Como você pretende aproveitar as oportunidades, e se defender das ameaças? Boa sorte, tenha um excelente 2012!

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